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TMO Haploidêntico. Um Novo Caminho Para Pacientes Com Leucemias, Linfomas E Anemia Aplásica

TMO haploidêntico. Um novo caminho para pacientes com leucemias, linfomas e anemia aplásica

Entenda como funciona o transplante com doadores HLA 50% compatíveis

O transplante de medula óssea (TMO) haploidêntico hoje é importante opção de tratamento para diversos tipos de câncer, como as leucemias agudas, síndromes mielodisplásicas , anemia aplásica e alguns tipos de linfomas. Mas nem sempre foi assim…

O que é o TMO haploidêntico

Neste tipo de transplante é possível utilizar as células de um doador 50% HLA compatível. Mas não é qualquer pessoa que pode doar! Sempre deve ser alguém da família, preferencialmente pai, mãe, irmãos, filhos, em raras ocasiões, primos.

Caso o paciente receba a indicação para o TMO, o primeiro passo será fazer testes de sangue laboratoriais específicos, chamados de exame de histocompatibilidade (ou HLA) nos possíveis doadores. Após os resultados, será escolhido aquele que reúna compatibilidade HLA aceitável, além de outras características, como presença de anticorpos adquiridos do receptor contra o doador, concordância de sorologia viral e toxoplasma. Como podem perceber, são várias as particularidades na hora da escolha do doador haploidêntico.

Como é feito

No transplante haploidêntico, os médicos retiram as células-tronco do doador, por meio de uma agulha na região da bacia no centro cirúrgico (poucas ocasiões)  ou por meio do sangue periférico (grande maioria dos casos). Este é um procedimento  parecido com uma doação de sangue, além de não causar nenhum problema para quem está doando.

A segunda etapa será preparar o receptor (paciente) para receber as novas células progenitoras. O objetivo aqui é administramos o tratamento quimioterápico ou quimioterapia + radioterapia. Na sequência, transfudiremos por meio do cateter central o material coletado do doador (a “medula”).  Dias depois teremos que inativar as células imunologicamente competentes, ou seja, aquelas que podem causar qualquer tipo de rejeição aguda para o paciente. Essa inativação acontecerá após o transplante, com uso de quimioterápicos (ciclofosfamida), que objetivam matar os linfócitos T do doador, deixando assim somente o necessário para que novas células sanguíneas possam nascer, de forma sadia.

Os níveis de rejeição podem ser maiores?

O transplante de medula óssea realizado por meio de um doador sempre exigirá cuidados especiais. Isso porque é possível que a nova medula óssea transplantada  reconheça as células do receptor como estranhas / “inimigas” e as rejeite, causando a chamada doença do enxerto x hospedeiro, a DECH. Para entender melhor, leia a matéria DECH pós-TMO e suas complicações clicando aqui.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO),  assim como nas outras modalidades de tranplantes alogênicos,  no TMO haploidêntico serão utilizados medicamentos (imunossupressores) que visam a diminuição da atividade das células T. Há uma redução na incidência da DECH, mas um aumento no risco de infecções.

Fazer ou não fazer o TMO Haploidêntico?

Essa será uma decisão em conjunto entre paciente e médico. É preciso analisar o cenário como um todo:

1 – O paciente tem indicação para o TMO com doador?

2 – Se sim, qual a urgência para a realização do procedimento?

3 – Na família, há algum doador 100% HLA compatível?

4 – Se não há, as buscas nos bancos de medula nacionais e internacionais conseguiram encontrar um doador compatível? E no tempo hábil?

Tenha em mente que o TMO haploidêntico é tão seguro quanto qualquer outro transplante. Inclusive, atualmente com resultados semelhantes ao transplantes alogênicos não aparentados. Deve ser realizado apenas com equipe especializada e em hospital qualificado. Hoje, esta opção é bastante eficiente, haja vista que encontrar um doador totalmente compatível na família ou fora da família, não costuma ser fácil, por conta da miscigenação da população brasileira.

TMO Haploidêntico – Um pouco de história

Segundo a SBTMO, as iniciativas de transplantes haploidênticos nos anos 70 foram catastróficas e proibitivas, com incidência de doença do enxerto vs hospedeiro acima de 70% e falha na pega da medula em até 20% dos casos.

Nos anos 80, com a utilização de medicamentos para a diminuição das células T com hemácias de carneiro a metodologia começou a ter aceitação. Em 1994, o grupo italiano com equipamento de seleção de células CD34 demonstrou diminuição dos riscos de rejeição, utilizando altas doses de células.

Em 2008, um grande avanço foi registrado. Um grupo de pesquisadores de Baltimore consolidou o uso da ciclofosfamida nos dias +3 e +4 pós-transplante.

Os transplantes haploidênticos vem aumentando nos centros brasileiros, já que dentre as vantagens está que em mais de 95% dos casos será possível encontrar um doador HLA 50% compatível. Enquanto que mais da metade dos pacientes que precisam de um doador, não conseguem encontrar alguém que seja totalmente compatível.

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