Tratamento

Leucemia Linfoide Crônica

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– Observar e Esperar

Especialmente nos estágios iniciais da LLC, muitos pacientes não apresentam sintomas e a progressão do câncer pode ser muito lenta. Nesses casos, os médicos podem recomendar uma abordagem chamada watch and wait, que traduzida para o português significa “observar e esperar”. Ou seja, o paciente não vai precisar utilizar nenhuma opção terapêutica e sim apenas acompanhar a doença de perto, por meio de consultas com o(a) hematologista.

Medicamentos

Quando o tratamento é necessário, as opções terapêuticas são:

Imunoterapia:

As células cancerosas são muito espertas e, por crescerem de forma rápida e descontrolada, podem enganar o sistema imunológico, para que ele não as veja como uma ameaça ao desligar a resposta imune ou parar as funções imunológicas que poderiam destruí-las. Com isso, a imunoterapia faz com que o próprio sistema imunológico reconheça as células doentes e as ataque.

Aqui, os medicamentos ajudam o próprio sistema imunológico do paciente a combater as células cancerígenas.

Inibidores da Tirosina Quinase de Bruton (BTK):

A BTK (Bruton’s Tyrosine Kinase) é uma enzima essencial para o funcionamento das células B, um tipo de célula do sistema imunológico. Em algumas doenças hematológicas malignas, como a leucemia linfocítica crônica, essa enzima está hiperativa, contribuindo para o crescimento descontrolado das células cancerosas. Por isso a necessidade de usar um medicamento inibidor.

Inibidores da Proteína BCL-2:

A BCL-2 é uma proteína antiapoptótica, ou seja, ela impede que a célula morra, mesmo quando essa célula está danificada ou se tornou cancerígena. Em vários tipos de câncer hematológico, como na LLC, ela está superexpressa, ajudando as células cancerosas a sobreviverem por mais tempo do que deveriam. Os medicamentos ajudam a combatê-la.

Transplante de medula óssea:

Também chamado transplante de células-tronco hematopoiéticas, este procedimento tem por objetivo restaurar a habilidade do organismo em produzir células sanguíneas normais.

Este é um procedimento raro em pacientes com LLC. A indicação dependerá da idade, do prognóstico ou quando as primeiras opções de tratamento não apresentam bons resultados. O tipo escolhido será o transplante alogênico, quando é preciso ter um doador compatível.

  • O TMO acontece assim:

Condicionamento – É um processo de preparo para o recebimento da medula óssea do doador. O paciente será submetido a um regime de quimioterapia em altas doses com o intuito de destruir a medula óssea do próprio paciente e de reduzir a imunidade para que seja evitada a rejeição.

Serão utilizados medicamentos extremamente potentes no combate ao câncer, com o objetivo de destruir, controlar e inibir o crescimento das células doentes.

Transplante – Em seguida, as células-tronco doadas serão infundidas no paciente, com a finalidade de reconstituir a fabricação das células saudáveis. O procedimento se parece com uma “transfusão de sangue”. A nova medula óssea fica em uma bolsa. No caso de medula previamente congelada, utiliza-se um líquido conservante, que também pode causar alguns desconfortos, como náusea, vômitos, sensação de calor e formigamento. Mas o paciente será monitorado a todo momento.

Normalmente, o paciente permanece internado por mais de 15 dias para o acompanhamento da evolução no tratamento.

Pós-TransplanteEsta fase é conhecida como aplasia medular, devido à queda do número de todas as células do sangue. Neste período, o paciente fica mais predisposto a infecções e passa a receber inúmeros antibióticos, além de medicamentos que estimulam a produção dos glóbulos brancos (que combatem as bactérias e vírus).

Ele também pode apresentar hemorragias, devido à baixa das plaquetas, e anemia por baixa dos glóbulos vermelhos, sendo necessário realizar transfusão de sangue.

Neste momento é muito importante:

  • Reforçar os cuidados com a higiene
  • Usar máscara em lugares públicos, muito movimentados
  • Limitar o número e frequência de visitas
  • Lavar sempre as mãos
  • Evitar lâminas para se barbear ou depilar
  • Evitar retirar cutículas
  • Escovar delicadamente os dentes

Pega da medulaQuando a medula óssea começa a funcionar novamente (geralmente em torno de 2-4 semanas após a infusão) pode-se dizer que houve a pega da medula, ou seja, o transplante obteve sucesso e a medula voltou a funcionar perfeitamente. Ainda assim, o monitoramento médico continua sendo essencial, pois mesmo após um ano de procedimento, pode vir a aparecer alguma complicação tardia.

A alta só será possível no momento em que a medula óssea estiver funcionando bem, ou seja, produzindo as células do sangue que protejam o paciente contra infecções e hemorragias.

Após a pega da medulaNeste momento, o paciente estará sob uso de medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição do TMO, portanto ainda poderá apresentar sintomas de infecção como febre, calafrios, mal-estar, tosse e alterações urinárias. Mas é a doença do enxerto x hospedeiro o que mais preocupa. Isto porque a nova medula óssea, provinda do doador, passa a reconhecer os órgãos do paciente como estranhos e, automaticamente, iniciam um ataque contra eles. São dois os tipos:

  • Aguda: ocorre geralmente nos primeiros três meses após o procedimento. Pele, intestino e fígado são os órgãos mais frequentemente acometidos. Pode causar manchas vermelhas nas mãos, pés e rosto; manchas espalhadas pelo corpo; erupções na pele; febre; diarreia; dores abdominais; icterícia (coloração amarelada da pele e mucosas devido alterações no fígado).
  • Crônica: em geral ocorre após 3-4 meses do transplante e pode durar anos. Os principais órgãos acometidos são pele, mucosas, articulações e pulmão. Seus principais sintomas são lesões, enrijecimento e escurecimento da pele, coceira pelo corpo, boca seca e sensível, olhos secos e secura vaginal.

Quimioterapia:

Embora atualmente não seja o tratamento mais utilizado na LLC, é possível que o médico indique para alguns pacientes.

Medicamentos são administrados em combinação para destruir as células doentes que formam um tumor ou se multiplicam desordenadamente. Estes medicamentos se misturam com o sangue e são levados a todas as partes do corpo, destruindo as células doentes e impedindo, também, que elas se espalhem pelo corpo.