O diagnóstico do mieloma múltiplo costuma vir acompanhado de muitas dúvidas e receios e a principal delas é sobre o tratamento. Afinal, quem tem mieloma múltiplo precisa obrigatoriamente fazer a quimioterapia tradicional?
A quimioterapia citotóxica tradicional, aquele tratamento clássico associado à queda intensa de cabelo e náuseas graves como vemos em filmes e novelas, não é mais o pilar principal do tratamento diário quando o tema é o mieloma.
Hoje, os esquemas terapêuticos modernos combinam classes de medicamentos que atacam o tumor de forma direcionada, preservando as células saudáveis.
Quais são os principais tratamentos para o mieloma múltiplo?
Dentre as classes de terapias mais utilizadas atualmente estão:
Imunomoduladores: estimulam o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e destruir os plasmócitos doentes.
Inibidores de proteassoma: bloqueiam os mecanismos de “descarte” da célula tumoral. Isso faz com que a célula do mieloma acumule proteínas tóxicas e entre em apoptose (morte celular programada).
Anticorpos monoclonais: se ligam a receptores específicos na superfície da célula tumoral (como a proteína CD38), sinalizando para o sistema imune destruí-la diretamente.
CAR-T: terapia celular personalizada, que usa os linfócitos T do próprio paciente, geneticamente modificados em laboratório, para combater o mieloma.
Anticorpos biespefícios: fazem uma “ponte molecular”, sendo que um braço agarra o tumor e o outro agarra a célula T, forçando o combate das células doentes.
E quando a quimioterapia tradicional é indicada no mieloma múltiplo?
Embora as imunoterapias e drogas-alvo dominem o tratamento contínuo, a quimioterapia citotóxica clássica não foi completamente descartada. Ela tem papéis estratégicos e bem delimitados em situações específicas, dentre elas o condicionamento para o transplante autólogo de medula óssea (TMO).
A indicação mais comum da quimioterapia de alta dose ocorre no preparo para o transplante. Antes de reinfundir as células-tronco do próprio paciente, aplica-se uma dose elevada de um quimioterápico. O objetivo é erradicar as células doentias residuais na medula para que as novas células possam se alojar e prosperar.
Para pacientes considerados elegíveis, com base na idade, estado geral de saúde e função renal, o TMO autólogo continua sendo uma etapa fundamental.
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