Leucemia é sempre um câncer agressivo?

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Entenda as diferenças entre os tipos da doença e suas principais características

Receber o diagnóstico de leucemia pode despertar uma série de dúvidas, afinal é um câncer bastante amplo. E você pode se perguntar “toda leucemia será considerada agressiva?”. A resposta é: nem sempre.

Embora todas as leucemias sejam doenças malignas que afetam a medula óssea, responsável pela formação das células do sangue, elas não se comportam da mesma maneira. Existem diferentes tipos e subtipos, com características, velocidade de evolução, prognóstico e tratamentos distintos.

De forma geral, as leucemias são classificadas em quatro tipos principais: leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia linfoblástica aguda (LLA), leucemia mieloide crônica (LMC) e leucemia linfocítica crônica (LLC). A classificação considera tanto a linhagem da célula afetada quanto a velocidade com que a doença tende a evoluir.

Leucemia aguda é mais agressiva?

As leucemias agudas, como a LMA e a LLA, geralmente apresentam evolução rápida e precisam de avaliação e tratamento em curto intervalo de tempo.

Nessas doenças, células imaturas, chamadas blastos, se acumulam na medula óssea e podem comprometer a produção normal de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Como consequência, o paciente pode apresentar anemia, infecções e sangramentos, entre outros sinais e sintomas.

Na leucemia mieloide aguda, por exemplo, o tratamento deve ser iniciado rapidamente. Entretanto, dizer que uma leucemia aguda é “agressiva” não significa dizer que ela seja necessariamente incurável. O prognóstico varia bastante de acordo com fatores como idade, características genéticas e moleculares da doença, condições clínicas do paciente e resposta ao tratamento.

A leucemia linfoblástica aguda também costuma evoluir rapidamente sem tratamento. Ao mesmo tempo, existem diferentes estratégias terapêuticas, incluindo quimioterapia, terapias-alvo, imunoterapia e, em situações selecionadas, transplante de células-tronco hematopoéticas.

E as leucemias crônicas?

O termo “crônica” pode causar uma falsa impressão de que a doença é sempre leve. Não é bem assim.

As leucemias crônicas costumam apresentar uma evolução mais lenta do que as formas agudas, especialmente em suas fases iniciais. Isso permite, em algumas situações, que o paciente seja acompanhado sem necessidade de iniciar o tratamento imediatamente.

Um exemplo é a leucemia linfocítica crônica (LLC). Alguns pacientes podem permanecer durante anos sem necessidade de tratamento, enquanto outros apresentam características que indicam a necessidade de iniciar uma terapia.

Na leucemia mieloide crônica (LMC), por outro lado, a introdução dos inibidores de tirosina quinase transformou profundamente o tratamento da doença. Medicamentos como imatinibe, dasatinibe, nilotinibe, bosutinibe e asciminibe são utilizados de acordo com as características e a resposta de cada paciente.

Portanto, uma leucemia crônica não deve ser confundida com uma doença sem importância. Ela também precisa de acompanhamento hematológico regular e, quando indicado, tratamento.

Então, qual leucemia é mais grave?

Não existe uma resposta única. Mesmo dentro de um mesmo tipo de leucemia, o comportamento da doença pode variar de uma pessoa para outra. Por isso, o médico não avalia apenas o nome da doença.

Características genéticas e moleculares das células leucêmicas, idade, condições de saúde, alterações encontradas nos exames, presença de determinadas complicações e, principalmente, a resposta ao tratamento são alguns dos elementos que ajudam a determinar o prognóstico.

Na LMA, por exemplo, alterações cromossômicas e mutações específicas têm importante papel na avaliação prognóstica e na definição da estratégia terapêutica.

Na LLA, fatores como idade, alterações genéticas, incluindo a presença do cromossomo Philadelphia em alguns casos, acometimento do sistema nervoso central e ocorrência de recaída também influenciam o prognóstico.

Leucemia agressiva significa que não tem cura?

Essa é uma distinção importante. A palavra “agressiva”, quando utilizada para descrever uma doença, está relacionada principalmente à velocidade de crescimento e progressão da condição, e ao risco de complicações. Ela não determina, sozinha, se existe ou não possibilidade de remissão ou cura.

Os avanços no diagnóstico e no tratamento das leucemias ampliaram as possibilidades terapêuticas. Atualmente, além da quimioterapia, existem terapias-alvo e diferentes modalidades de imunoterapia, e algumas delas são direcionadas a alterações específicas presentes nas células leucêmicas.

Em determinadas situações, o transplante de medula óssea também pode fazer parte da estratégia de tratamento.

O tratamento depende do tipo de leucemia

Não existe um único tratamento para “leucemia”. A escolha terapêutica depende do tipo e subtipo da doença, características genéticas e moleculares, idade, estado geral de saúde, resposta ao tratamento e outros fatores individuais.

Por isso, duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem receber tratamentos diferentes.

Na LMC, por exemplo, a terapia-alvo é uma das principais estratégias na fase crônica. Já nas leucemias agudas, o tratamento pode envolver diferentes combinações de quimioterapia, terapias-alvo, imunoterapia e, para determinados pacientes, transplante.

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