Os tratamentos contra o câncer estão cada vez mais eficazes. Na Onco-Hematologia, terapias-alvo, imunoterapias, anticorpos biespecíficos e células CAR-T ampliaram as possibilidades de controle de doenças como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo.
Mesmo assim, em alguns casos, o tratamento deixa de funcionar como esperado. Esse fenômeno é chamado de resistência terapêutica e representa um dos principais desafios no tratamento do câncer.
O que é resistência ao tratamento? 
A resistência acontece quando as células cancerígenas conseguem sobreviver à ação de uma terapia. Ela pode estar presente desde o início, quando o tumor não responde adequadamente ao tratamento, ou surgir ao longo do tempo, depois de uma resposta inicial.
Isso pode acontecer porque os tumores não são formados por células completamente iguais. Além disso, algumas apresentam características que as tornam naturalmente menos sensíveis ao medicamento. Outras podem adquirir alterações ao longo da evolução da doença.
Quando o tratamento elimina as células mais sensíveis, aquelas capazes de sobreviver podem permanecer e voltar a se multiplicar.
Como as células cancerígenas conseguem escapar?
Existem diferentes mecanismos envolvidos na resistência ao tratamento do câncer. Entre eles estão alterações genéticas que modificam o alvo de um medicamento, ativação de outras vias de crescimento e mudanças na interação das células tumorais com o ambiente ao seu redor. Nas neoplasias hematológicas, alguns desses mecanismos já são bastante conhecidos.
Na leucemia mieloide crônica (LMC), por exemplo, os inibidores de tirosina quinase atuam sobre a proteína BCR-ABL. Algumas mutações nessa proteína podem dificultar a ação dos medicamentos. A mutação T315I é um dos exemplos associados à resistência a determinados inibidores de tirosina quinase.
Já no mieloma múltiplo, a resistência pode surgir após diferentes linhas de tratamento e está relacionada à heterogeneidade das células da doença.
Uma resposta completa significa que não existe mais doença?
Nem sempre. Mesmo quando os exames mostram uma resposta profunda, pequenas quantidades de células tumorais podem permanecer no organismo. Em algumas neoplasias hematológicas, a doença residual mensurável (DRM) é utilizada justamente para identificar níveis muito baixos de doença que não seriam detectados pelos exames convencionais.
A avaliação da DRM pode ajudar a compreender a profundidade da resposta e, em determinadas doenças, também fornece informações importantes sobre o risco de recaída.
Quando um tratamento deixa de funcionar, o que pode ser feito?
A resistência a um medicamento não significa necessariamente que não existam outras opções.
Dependendo da doença e das características de cada paciente, o hematologista pode avaliar a troca do tratamento, a possibilidades de novas combinações terapêuticas, novas terapias-alvo, imunoterapia, anticorpos biespecíficos, CAR-T, transplante de células-tronco hematopoéticas ou participação em estudos clínicos.
A escolha depende de fatores como o tipo de neoplasia, características moleculares, tratamentos anteriores, além de resposta obtida e condições clínicas do paciente.
Compreender por que algumas células tumorais sobrevivem aos tratamentos é uma das principais frentes de pesquisa em Onco-Hematologia. Afinal, o objetivo não é apenas fazer o câncer responder ao tratamento, mas encontrar maneiras de manter essa resposta por mais tempo e reduzir o risco de a doença voltar a progredir.
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