Uma das dúvidas mais comuns entre pessoas diagnosticadas com mieloma múltiplo é se o transplante de medula óssea (TMO) é obrigatório para que a doença entre em remissão. A resposta é: não necessariamente.
Embora o transplante autólogo (feito com as próprias células do paciente) continue sendo uma das principais estratégias terapêutica ele não é o único caminho para alcançar uma resposta profunda ao tratamento. Até porque, nem todo mundo será elegível à sua realização.
Com os avanços da Hematologia, muitos pacientes conseguem atingir a remissão utilizando combinações medicamentosas bem inovadores, que incluem imunomoduladores, inibidores do proteassoma e anticorpos monoclonais.
O que significa entrar em remissão do mieloma?
Remissão significa que o tratamento foi capaz de reduzir significativamente a quantidade de células do mieloma no organismo.
Ela pode ser parcial ou completa, dependendo dos resultados dos exames. Em alguns casos, também é possível alcançar a chamada doença residual mínima (DRM) negativa, quando métodos altamente sensíveis não conseguem detectar células do mieloma.
É importante destacar que remissão não significa cura. O mieloma múltiplo ainda é considerado uma doença crônica e, mesmo após excelentes respostas ao tratamento, o paciente continua sendo acompanhado pelo hematologista.
O transplante de medula é obrigatório para alcançar a remissão?
Não! Muitos pacientes já apresentam uma resposta excelente logo após o tratamento inicial, conhecido como terapia de indução. Isso ocorre porque os esquemas terapêuticos evoluíram de forma significativa nos últimos anos.
A introdução de anticorpos monoclonais, como o daratumumabe, combinados com outras classes de medicamentos, aumentou a taxa de respostas profundas e elevou o número de pacientes que alcançam remissão antes mesmo do transplante.
Então, qual é a função do TMO?
No mieloma múltiplo, o objetivo do transplante não é apenas induzir a remissão, mas aprofundar essa resposta e prolongar o tempo em que a doença permanece controlada.
Após a terapia inicial, o transplante autólogo pode eliminar uma quantidade ainda maior de células do mieloma, aumentando as chances de atingir respostas mais profundas, como a doença residual mínima negativa, além de prolongar a sobrevida livre de progressão.
Em outras palavras, o transplante ajuda a tornar uma boa resposta ainda melhor.
Todo paciente precisa fazer transplante? 
Também não. A indicação depende de diversos fatores, como idade do paciente, condições clínicas, presença de outras doenças, alterações genéticas do mieloma e resposta ao tratamento inicial.
Além disso, existem pacientes que não são candidatos ao procedimento e podem apresentar excelentes resultados apenas com tratamento medicamentoso.
Importante lembrar que, mesmo quando o paciente entra em remissão, geralmente é necessário manter o acompanhamento com consultas periódicas e, em muitos casos, realizar o chamado tratamento de manutenção.
Essa etapa tem como objetivo prolongar a remissão e retardar ao máximo uma possível recaída.
A decisão sobre o tratamento, com ou sem TMO, deve ser individualizada e feita por um médico hematologista.
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