O mieloma múltiplo representa uma fração muito pequena de todas as doenças malignas, em torno de 1%.
No entanto, apesar de rara, atualmente é uma das condições de saúde que mais tem avançado em termos de pesquisas e novos tratamentos. A trajetória científica do mieloma tem sido direcionada à busca pela cura.
São diversas as opções de tratamento, que podem ser utilizadas em primeira linha ou também em pacientes em recidivas. As principais são:
– Quimioterapia: objetiva combater as células doentes no corpo, mas acaba também combatendo as células saudáveis. Dentre os medicamentos estão ciclofosfamida e melfalano.
– Corticosteroides: prednisona e dexametasona impedem que os glóbulos brancos se desloquem para áreas onde as células cancerígenas do mieloma estão causando danos, diminuindo o inchaço e a inflamação nas regiões.
– Imunomoduladores: estes medicamentos, como a talidomida, lenalidomida e pomalidomida, alteram o sistema imunológico para que ele funcione de forma mais eficaz no combate ao câncer.
– Inibidores de proteassoma: bortezomibe, carfilzomibe e ixazomibe atuam bloqueando a atividade do proteassoma, uma estrutura celular responsável por degradar proteínas “defeituosas” ou desnecessárias. Ou seja, impedem a proliferação das células do mieloma.
– Anticorpos monoclonais: estes medicamentos fazem com que o próprio sistema imunológico do paciente combata o mieloma múltiplo e suas mutações genéticas. Alguns deles são daratumumabe, isatuximabe, elotuzumabe.
– Anticorpos biespecíficos: o objetivo de medicamentos como teclistamabe, talquetamabe, elranatamabe é se ligar a um antígeno presente nas células do mieloma e, ao mesmo tempo, a um linfócito T do paciente, ativando-o para atacar a células malignas. Eles funcionam como uma ponte entre a célula tumoral e o sistema imune.
– Transplante de medula óssea autólogo: utilizando as próprias células-tronco do paciente, serve como um reforço no tratamento, com o objetivo de provocar uma limpeza profunda das células doentes residuais na medula óssea.
O TMO acontece assim:
Condicionamento: o paciente recebe uma dose intensa de quimioterapia com o objetivo de destruir as células doentes da medula óssea.
Reinfusão das células-tronco: após a quimioterapia, as células-tronco previamente coletadas e congeladas são descongeladas e infundidas no paciente, como em uma transfusão de sangue.
Pega da medula: nos dias seguintes, as células-tronco se instalam novamente na medula óssea e retomam a produção de células do sangue. Esse processo de recuperação pode levar cerca de 10 a 20 dias.
Recuperação: durante esse período, o paciente precisa de cuidados especiais, pois a imunidade estará muito baixa. São comuns internações em ambiente protegido, uso de antibióticos e transfusões, se necessário.
– CAR-T Cell: as células T (de defesa) do próprio paciente são coletadas e, em laboratório, são modificadas geneticamente para expressar receptores específicos chamados CARs (Chimeric Antigen Receptors) que reconhecem um alvo tumoral. As células modificadas são multiplicadas e depois reinfundidas no paciente, onde passam a identificar e destruir as células do mieloma.
O planejamento do tratamento deve agrupar, sempre que possível, protocolos com três ou quatro medicamentos das classes descritas aqui, para que um possa potencializar a ação dos outros e, assim, ganhar força para eliminar as células doentes da medula óssea. O médico hematologista é quem definirá qual a melhor opção a seguir, em conjunto com o paciente.
Fonte: Livro Vencer o Câncer Hematológico