A leucemia mieloide crônica (LMC) é um tipo de câncer que começa nas células formadoras de sangue da medula óssea, o tecido esponjoso dentro dos ossos onde as células sanguíneas são produzidas. Na LMC, um grande número de glóbulos brancos anormais, conhecidos como células leucêmicas, acumula-se no sangue e não funciona como deveria, prejudicando a capacidade do corpo de combater infecções.
- Mutação genética
A LMC está intimamente associada a uma alteração genética específica chamada translocação t(9;22), que ocorre quando partes dos cromossomos 9 e 22 se quebram e trocam de lugar. Isso ocorre da seguinte maneira:
– Cromossomos e genes: nosso DNA está organizado em estruturas chamadas cromossomos. Cada célula humana tem 46 cromossomos, divididos em 23 pares. Os cromossomos são numerados de 1 a 22, além dos cromossomos sexuais (X e Y).
– Quebra e troca: na LMC, ocorre uma quebra nos cromossomos 9 e 22. A parte quebrada do cromossomo 9 se liga ao cromossomo 22 e vice-versa.
– Formação do cromossomo Philadelphia: a troca cria um cromossomo anormal chamado cromossomo Philadelphia, que recebeu esse nome em homenagem à cidade onde foi descoberto.
– Gene BCR: gene localizado no cromossomo 22 e com várias funções no corpo. Quando partes desses genes se juntam no cromossomo Philadelphia, formam um novo gene (anormal) chamado BCR-ABL, o qual produz uma proteína que faz as células sanguíneas se dividirem e crescerem descontroladamente, resultando na LMC.
A presença do cromossomo Philadelphia é uma marca registrada da LMC, visto que é encontrado em cerca de 95% dos pacientes com essa doença. A identificação desse cromossomo, por meio de testes específicos, é crucial para o diagnóstico e o tratamento da LMC.
Esse tipo de leucemia é considerada uma doença rara, com uma incidência de aproximadamente 1 a 2 casos a cada 100.000 pessoas por ano.
- Fases da LMC
A LMC é uma doença que pode progredir de maneira diferente em cada pessoa. Para ajudar a entender e tratar melhor a LMC, os médicos dividem a doença em três fases distintas:
– Fase crônica: é o momento inicial e a mais comum da LMC. Cerca de 85% dos pacientes são diagnosticados nesta fase. Nela, a maioria das células sanguíneas são maduras e funcionam quase normalmente.
– Fase acelerada: se a LMC não for bem controlada, pode progredir para a fase acelerada, na qual as células sanguíneas se tornam mais anormais, e há um aumento no número de células imaturas (blastos) no sangue e na medula óssea. Pode haver um aumento significativo do baço e do fígado.
– Fase blástica: a fase blástica é a fase mais avançada e grave da LMC, muitas vezes comparada à leucemia aguda. Na fase blástica, um grande número de células imaturas (blastos) está presente no sangue e na medula óssea, comprometendo seriamente a produção de células sanguíneas normais.
Fonte: Livro “Vencer o Câncer Hematológico”