O avanço da Medicina de precisão tem transformado o diagnóstico e o tratamento das doenças do sangue. Mas você sabe o que são mutações genéticas? Sua identificação passou a ter um papel central na condução clínica de pacientes com leucemias, linfomas e mieloma múltiplo.
Mais do que confirmar o diagnóstico, os testes genéticos ajudam a definir prognóstico, orientar terapias direcionadas e, em muitos casos, prever a resposta ao tratamento.
Mutações genéticas na Onco-Hematologia
As mutações genéticas são alterações no DNA das células, que podem levar ao crescimento descontrolado e ao desenvolvimento do câncer.
Na Onco-Hematologia, especialidade que cuida das doenças do sangue, essas alterações podem estar presentes desde o início da doença ou surgir ao longo da evolução, influenciando diretamente o comportamento tumoral.
Hoje, exames como citogenética, biologia molecular e sequenciamento de nova geração (NGS) permitem identificar essas alterações com maior precisão.
Principais mutações genéticas nas doenças do sangue
Diversas mutações já foram descritas e associadas a diferentes doenças. Entre as principais, destacam-se:
BCR-ABL1 (cromossomo Philadelphia): presente principalmente na leucemia mieloide crônica (LMC) e em alguns casos de leucemia linfoide aguda (LLA), essa alteração está diretamente relacionada à ativação de vias de proliferação celular.
FLT3: comum na leucemia mieloide aguda (LMA), está associada a pior prognóstico e maior risco de recaída.
NPM1: também encontrada na LMA, pode estar relacionada a melhor prognóstico em determinados contextos, especialmente na ausência de outras mutações de alto risco.
TP53: associada a diversas neoplasias hematológicas, costuma indicar doença mais agressiva e menor resposta aos tratamentos convencionais.
KRAS e NRAS: podem estar presentes em diferentes doenças e estão relacionadas à ativação de vias de crescimento celular.
Por que é importante diagnosticar essas mutações?
A identificação das mutações genéticas é fundamental para uma abordagem mais precisa e individualizada. Entre os principais benefícios estão:
- Definição mais precisa do diagnóstico
- Estratificação de risco
- Escolha do tratamento mais adequado
- Previsão de resposta terapêutica
- Monitoramento da doença ao longo do tempo
Em muitos casos, pacientes com a mesma doença podem ter evoluções completamente diferentes, e as mutações ajudam a explicar essas diferenças.
Terapias direcionadas: como as mutações mudaram o tratamento
O conhecimento das alterações genéticas abriu caminho para o desenvolvimento de terapias-alvo, que atua diretamente nos mecanismos da doença.
Alguns exemplos incluem os inibidores de tirosina quinase (TKIs) para pacientes com BCR-ABL1 e os inibidores de FLT3 na leucemia mieloide aguda.
Esses tratamentos tendem a ser mais específicos, com maior eficácia em determinados grupos de pacientes e, em alguns casos, com perfil de toxicidade diferente da quimioterapia convencional.
Como saber se tenho mutações genéticas?
A avaliação genética é recomendada em diferentes momentos, dentre eles no diagnóstico inicial, durante o monitoramento da resposta ao tratamento e também em casos de recaída ou refratariedade.

