O objetivo principal do tratamento da leucemia linfoblástica aguda é eliminar as células leucêmicas da medula óssea e permitir que o sangue volte a ser produzido normalmente.
Eles variam conforme a idade do paciente, o subtipo da LLA, a presença de alterações genéticas específicas e a resposta inicial à terapia. Em crianças, as taxas de cura da LLA são bastante altas, ultrapassando 80% em muitos casos. Em adultos, o tratamento é mais desafiador, mas os avanços, com novas terapias, têm melhorado o prognóstico.
– Quimioterapia
É o tratamento base da LLA e costuma ser realizado em várias fases:
- Indução: tem como objetivo eliminar a maior parte das células leucêmicas no sangue e na medula óssea.
- Consolidação: reforça a eliminação das células restantes e evita recaídas.
- Manutenção: realizada por meses ou anos, com doses mais baixas, para manter a doença sob controle.
- Profilaxia do sistema nervoso central (SNC): aplicação de medicamentos diretamente no líquor (líquido da medula espinhal) para prevenir a infiltração da leucemia no cérebro.
– Terapias-alvo
Existe um subtipo de LLA que possui um alvo terapêutico denominado LLA Philadelphia positivo (Ph+). Neste subtipo ocorre uma alteração genética na célula-tronco denominada cromossomo Philadelfia (Ph+), uma translocação (fusão de uma parte de um cromossomo em outro cromossomo) em dois cromossomos, os de número 9 e 22, criando, assim, um novo gene, chamado BCR-ABL, responsável por tornar as células malignas.
Este gene codifica uma proteína com atividade tirosina quinase. Este tipo de proteína está relacionado a diversos processos fundamentais, como a proliferação, diferenciação, mobilidade e sobrevivência ou morte celular.
Existem atualmente vários inibidores de tirosina quinase que podem ser utilizados como terapia alvo inibindo o gene BCR-ABL. São eles: Imatinibe, Nilotinibe, Dasatinibe, Ponatinibe, Bosutinibe e Asciminibe.
Na LLA Ph+, esquemas de quimioterapia menos intensificados são utilizados em associação com um inibidor do BCR-ABL.
– Imunoterapia
Este tratamento objetiva que o próprio sistema imunológico do paciente reconheça e destrua as células cancerígenas.
Os anticorpos são proteínas produzidas naturalmente pelo organismo para combater as infecções. Os anticorpos monoclonais, produzidos em laboratório, tem como finalidade atacar as células cancerígenas apenas.
Dentre os medicamentos utilizados estão blinatumomabe e o inotuzumabe, que estimulam o sistema imunológico a atacar as células leucêmicas.
– Transplante de medula óssea (TMO)
O transplante alogênico (com doador compatível) pode ser indicado em casos de alto risco de recaída ou quando o paciente não responde bem à quimioterapia.
Ele oferece chances de cura, mas também envolve riscos, por isso a decisão é sempre individualizada.
O TMO acontece assim:
Condicionamento – É um processo de preparo para o recebimento da medula óssea do doador. O paciente será submetido a um regime de quimioterapia em altas doses com o intuito de destruir a medula óssea do próprio paciente e de reduzir a imunidade para que seja evitada a rejeição.
Serão utilizados medicamentos extremamente potentes no combate ao câncer, com o objetivo de destruir, controlar e inibir o crescimento das células doentes.
Transplante – Em seguida, as células-tronco doadas serão infundidas no paciente, com a finalidade de reconstituir a fabricação das células saudáveis. O procedimento se parece com uma “transfusão de sangue”. A nova medula óssea fica em uma bolsa. No caso de medula previamente congelada, utiliza-se um líquido conservante, que também pode causar alguns desconfortos, como náusea, vômitos, sensação de calor e formigamento. Mas o paciente será monitorado a todo momento.
Normalmente, o paciente permanece internado por mais de 15 dias para o acompanhamento da evolução no tratamento.
Pós-Transplante – Esta fase é conhecida como aplasia medular, devido à queda do número de todas as células do sangue. Neste período, o paciente fica mais predisposto a infecções e passa a receber inúmeros antibióticos, além de medicamentos que estimulam a produção dos glóbulos brancos (que combatem as bactérias e vírus).
Ele também pode apresentar hemorragias, devido à baixa das plaquetas, e anemia por baixa dos glóbulos vermelhos, sendo necessário realizar transfusão de sangue.
Neste momento é muito importante:
- Reforçar os cuidados com a higiene
- Usar máscara em lugares públicos, muito movimentados
- Limitar o número e frequência de visitas
- Lavar sempre as mãos
- Evitar lâminas para se barbear ou depilar
- Evitar retirar cutículas
- Escovar delicadamente os dentes
Pega da medula – Quando a medula óssea começa a funcionar novamente (geralmente em torno de 2-4 semanas após a infusão) pode-se dizer que houve a pega da medula, ou seja, o transplante obteve sucesso e a medula voltou a funcionar perfeitamente. Ainda assim, o monitoramento médico continua sendo essencial, pois mesmo após um ano de procedimento, pode vir a aparecer alguma complicação tardia.
A alta só será possível no momento em que a medula óssea estiver funcionando bem, ou seja, produzindo as células do sangue que protejam o paciente contra infecções e hemorragias.
Após a pega da medula – Neste momento, o paciente estará sob uso de medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição do TMO, portanto ainda poderá apresentar sintomas de infecção como febre, calafrios, mal-estar, tosse e alterações urinárias. Mas é a doença do enxerto x hospedeiro o que mais preocupa. Isto porque a nova medula óssea, provinda do doador, passa a reconhecer os órgãos do paciente como estranhos e, automaticamente, iniciam um ataque contra eles. São dois os tipos:
- Aguda: ocorre geralmente nos primeiros três meses após o procedimento. Pele, intestino e fígado são os órgãos mais frequentemente acometidos. Pode causar manchas vermelhas nas mãos, pés e rosto; manchas espalhadas pelo corpo; erupções na pele; febre; diarreia; dores abdominais; icterícia (coloração amarelada da pele e mucosas devido alterações no fígado).
- Crônica: em geral ocorre após 3-4 meses do transplante e pode durar anos. Os principais órgãos acometidos são pele, mucosas, articulações e pulmão. Seus principais sintomas são lesões, enrijecimento e escurecimento da pele, coceira pelo corpo, boca seca e sensível, olhos secos e secura vaginal.
– CAR-T Cell
Uma das abordagens mais avançadas no tratamento da LLA do tipo B, especialmente em casos em que a doença voltou ou não respondeu bem aos tratamentos tradicionais.
Nessa técnica, os linfócitos T do próprio paciente, células do sistema imunológico, são coletados, modificados geneticamente em laboratório para reconhecer e atacar as células leucêmicas, e depois serem reinfundidos no corpo.